sábado, 4 de julho de 2015

Cana neles


Levem as barras da justiça os detratores da Comandante em Chefe das Forças Armadas e Polícias da nação. A Presidenta da República Federativa do Brasil, sra. Dilma Rousseff. Sobre agressão obsceno/criminosa desferida a ela e a todas as avós, mães, filhas, irmãs e mulheres em geral.. Porque agressões como essas ultrapassam todos os limites legais e podem gerar precedentes que nos levem a um caos na 'livre manifestação', se impune, o ato pode gerar um precedente insuflando batalhas ilegais, tanto virtuais como físicas, confrontos de rua e em última instância até uma guerra fratricida.

quinta-feira, 11 de junho de 2015

http://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2015/06/comandante-da-policia-no-rs-sugere-que-populacao-chame-o-batman.html



segunda-feira, 18 de maio de 2015

Caã-Yari









Cerveja com erva mate
Nova cerveja da Bohemia pqrq o Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul
Rótulo de minha autoria.Esboço, bico de pena e computação gráfica.


Rápidos traços.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

sábado, 31 de janeiro de 2015

Georges Wolinski



Georges Wolinski (Túnis28 de junho de 1934 — Paris7 de janeiro de 2015) foi um cartunista e escritor de quadrinhos francês. Foi assassinado no massacre do Charlie Hebdo, um ataque terrorista ocorrido em 7 de janeiro de 2015 em Paris.
Aquarela s/ papel canson.

sábado, 17 de janeiro de 2015

Makembe 50º


Capítulo um
Makembe
O relógio na praça central, de onde saíam às dez vielas que formavam o vilarejo, marcava 42º. Turíbio (Boca de Sapo) Fortes, prefeito do município de Makembe achara mais importante colocar na praça central um grande relógio digital marcando, temperatura, hora, dia e mês do ano, do que fazer saneamento básico e levar água potável para dois terços da população de 4000 pessoas. Armandão, assim conhecido pela sua estatura, pouca conversa e pouca paciência já tinha opinião formada sobre “Boca de Sapo”, era assim que o prefeito Turíbio era conhecido e pronto. Cidade pequena, quando o apelido pega não tem para onde fugir. “Inclusive o prefeito usou o slogan ‘ A lagoa pode estar poluída, mas o Sapo não” Vote em Boca de Sapo para prefeito. Armandão encharcado de suor fez sinal de mais uma pinga para Neutacir, dono do ensebado boteco. Neutacir tinha seu boteco lotado, com as figurinhas carimbadas, assíduos e até frequentadores eventuais. Mas o silêncio era tão grande que se podia ouvir o zumbido das moscas na s exatas duas horas da tarde, como marcava o insuspeito relógio. Todos pareciam esperar um grande acontecimento. Repentinamente, na viela três, casualmente a que ficava do outro lado da praça e diretamente em frente ao bar, parou uma charrete com toldo e dela desce Diamantina, a terceira esposa do Boca de Sapo, que tinha um terço da sua idade. Armandão levantou-se e todos puderam ver seu marca touro nas costas e o quarenta e cinco na barriga, ambos enfiados na guaiaca, espécie de cinto largo com vários bolsos coldres e presilhas. Albeneir, disse Armandão com sua voz calma de trovão, ao bigodudo de chapéu enfiado que parecia dormir sentado a seu lado. Traga o cocheiro. Mal terminou de falar o homem que apresentava uma sonolência pachorrenta agora voava em seu zaino em direção à charrete. Mesmo com o silêncio não se ouvia palavra pela distancia do bar a charrete com a grande praça do relógio no meio. Mas se assistia a tudo como um filme mudo, Diamantina parada com duas maletas e o cocheiro no chão, atirado com apenas um safanão de Albeneir. Bota de garrão no pescoço, o Urubu, assim era chamado o cocheiro foi desarmado por Albeneir, inclusive requisitando sua espalha-chumbo acoplada em baixo do banco da charrete. A mulher abriu a bolsa e o telefone velho e ensebado do boteco do Neutacir trinitou quatro vezes, todos estavam paralisados com os olhos em Armandão, inclusive o botequeiro que não ousou tocar no telefone, na quinta Armandão atendeu e disse, venha até o meio da praça e fique na sombra da geringonça, era assim que ele chamava o relógio do prefeito que agora marcava 43º, mas a sensação térmica devia passar dos cinquenta. Quando a moça de costas para a cena da charrete chegou à sombra do relógio, Albeneir Disparou o 38 cano longo na cabeça do Urubu. “PEC” foi o único barulho que se somou aos zumbidos das moscas. 
Fim do primeiro capítulo segue em breve.


Segundo capítulo
Mazembe
Armandão esperou Albeneir voltar e antes que esse descesse do cavalo foi até ele. Mandei trazer o Urubu e não matá-lo. Quando o atirei no chão, peguei o cano curto e a espalha chumbo e senti uma coceira no saco. O feledaputa tinha um 22 na manga e tentou me acertar o estômago, se não atiro estou morto, se bem que bala de vinte dois tiro com a adaga e boto creolina por cima e estamos conversados. O grandão sacudiu a cabeça em aprovação e disse; ele vai juntar os jaguar e vem com tudo, pega os cavalos que vou charlar com a china. Albeneir fez a volta no boteco e veio com dois alazões pretos e olhou o caminhar ébrio de Armandão que se dirigia ao relógio. Todos os fregueses se amontoavam na porta, mas, ninguém se atrevia a por o pé para fora. Gordo, disse Albeneir para Neutacir, o bolicheiro, enche um saco com pinga, 3 kg de charque e muito torresmo, ah, carrega também no fumo de corda e atirou quatro patacas de ouro no chão. Eu pensei que a princesa não vinha, disse Armandão a Diamantina. E eu pensei que teus tempos de assassino haviam terminado. Hoje não matei ninguém, respondeu. Mas o Albeneir matou o Urubu, que é quase a mesma coisa. Princesa, ele só fez o furo quem matou foi deus e de mais a mais o safado atirou nele, mesmo deitado, para matar. Qual resposta tu esperavas de um índio xucro como Albeneir? Eu vim para fugir com o homem que amo e não para viver de saques e mortes, desabafou Diamantina. Agarrando as malas o homem disse, vamos montar e sumir para viver em paz, tu te apaixonaste por mim por saber que faço o que é certo no meio da injustiça total. Albeneir vinha a trote puxando os dois ‘marca peixe’ e a mulher seguia seu amor sem olhar para trás. Mas Armandão sentiu a maldade quando o seu capanga largou os dois cavalos e se agarrou, à moda Charrua/ Minuano, na lateral do garanhão e foi torneando a praça.
Breve 3º capítulo.


Mazembe
Capítulo terceiro
Cinco capangas entraram pela viela dois e mais cinco pela viela oito, Boca de Sapo ladeado de Tristonho e Preto Boi entraram pela viela três. Gauchos sem terra e sem lei que arrumaram emprego e acolhida com o prefeito, que em verdade era o coronel do vilarejo, com amplas extensões de terra e sem satisfação a ninguém. Quanto mais nome um homem matador tem mais os jovens querem mata-lo. Toneco disparou o pingo em direção ao casal na praça, 50º graus era pouco, faça chuva ou faça sol Armandão não tirava o poncho, apenas o jogava para as costas e debaixo desse um winchester de repetição que explodiu a cabeça do jovem Toneco. Albeneir disparava a kalashnikov, protegido pela traquitana do prefeito, matou seis e ainda deixou que Diamantina e Armandão subissem nos alazões Mas Armandão com um gesto mandou que Albeneir e Diamantina sumissem pela vilea dez a que levava ao campo com suas boçorocas, capões e irregularidades traiçoeiras. Em cima do cavalo, sob fogo cerrado de metralhadoras, pistolas e revolveres, como um alvo imóvel mirou a testa do prefeito e puxou o gatilho. Tiro dado, bugio deitado. Tiro certeiro de duzentos e cinquenta metros e contra o sol. Morto o patrão Tristonho e Preto Boi, assassinos pagos, não viram mais futuro em enfrentar Armandão, pois logo teriam outro chefe a defender e agricultores a matar. Mas os jovens gauchos da linha de frente, movidos por uma moral incompreensível, jamais conseguiriam voltar para seus chalés com o gosto da derrota e atacaram atirando com armas pesadas o solitário Armandão que já embalado no cavalo, ao invés de entrar na viela para a fuga adentrou com seu bicho preto no boteco do Neltacir, voou por cima do velho balcão e saiu com cavalo e tudo levando a porta dos fundos por diante. Viu ao longe Albeneir e Diamantina, mas seguiu para outro lado com cinco jovens gaúchos a lhe alvejar. No galope ferrado, com cocurutos, sobes e desces é difícil dominar uma metralhadora e foi assim que Adãozinho matou Orfeu que ia a sua frente. Agora eram quatro, as duas garrafas de cachaça começavam a estremecer Armandão que parou, se virou e viu os jovens gauchinhos caçadores de fama, soltando fogo pelas ventas e pelas armas pesadas. Eram ginetes a toda prova, cavalgavam seus pingos atirando com as duas mãos. Distava uns 300 metros dos inimigos e com o 38 na direita e o quarenta e cinco na esquerda esporeou o mancha negra e foi em direção aos seus perseguidores, com tal inversão suicida desconcertou os gauchos e com isso os deixou alvos mais fáceis. Estourou a cabeça do Xiru, um dos quatro e abaixo de balas matou o Carneiro, a melhor pontaria da jovem gauderiada.Em seguida quase a queima roupa derrubou Machuca, paraguaio atirador, mas não matou e deu mais um tiro na cabeça para completar a obra, só que se esqueceu de Adãozinho que com um balaço lado a lado arrancou sua orelha, retribuindo atirou para matar o safado, mas o quarenta e quatro só fez clique, tambor vazio. Postou o zaino de lado para que seu adversário tivesse menos ângulo, os cavalos quase bufavam um no rabo do outro em uma circular dança macabra, Antes que Armandão conseguisse sacar o cano curto preso à bota tomou mais dois tiros um de raspão no pescoço e outro no ombro, os cavalos e cavaleiros estavam exaustos, mas Adãozinho excitado por estar a matar o maior matador vacilou e foi quando Armandão pulou na garupa do cavalo do inimigo e lhe pôs a gravata vermelha.
Breve capítulo final.




segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

A obra completa/aberta de Rafael Sica




Desde que os artistas entenderam a importância do diálogo, obra de arte e observador, os movimentos artísticos sucedem-se na história tentando alcançar um clímax que denomino de “a obra completa”, ou seja, quando o observador para em frente à obra e sente, pensa, ignora, ou ‘completa’, só nesse momento é que a obra se conclui. Ideia que permeou vários movimentos da história da arte e é intrínseca a arte contemporânea. A obra completa, quase acontece com Kazimir Malevich e seu suprematismo, (branco sobre branco), com Joseph Beyus e suas esculturas e performances com  graxa e animais vivos, ou Marcel Duchamp com seus ready mades. Hoje, a obra completa, é perseguida incessantemente nas happness, na arte conceitual e nas instalações contemporâneas. Sem as parafernálias tecnológicas, usando a linguagem gráfica, mais especificamente o cartum, Rafael Sica chega lá. Com tiras de humor mudo e instigante, o artista consegue passar uma mensagem explícita e ao mesmo tempo dúbia, ocasionando um leque de interpretações a quem as observa. Interpretações que na maioria diferem da intenção original do autor, mas nem por isso deixam de fazer nexo à obra. Sendo assim, o artista  consegue o que há muito vem se tentando, o acabamento da obra através do pensamento do observador, ou seja,  Sica atingiu a "obra aberta/completa".

Eduardo Simch
1997

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Bochhinchho - Quadrinhos

Bochincho



Autoria: Jayme Caetano Braun
A um bochincho - certa feita,
Fui chegando - de curioso,
Que o vicio - é que nem sarnoso,
nunca pára - nem se ajeita.
Baile de gente direita
Vi, de pronto, que não era,
Na noite de primavera
Gaguejava a voz dum tango
E eu sou louco por fandango
Que nem pinto por quireral.

Atei meu zaino - longito,
Num galho de guamirim,
Desde guri fui assim,
Não brinco nem facilito.
Em bruxas não acredito
'Pero - que las, las hay',
Sou da costa do Uruguai,
Meu velho pago querido
E por andar desprevenido
Há tanto guri sem pai.

No rancho de santa-fé,
De pau-a-pique barreado,
Num trancão de convidado
Me entreverei no banzé.
Chinaredo à bola-pé,
No ambiente fumacento,
Um candieiro, bem no centro,
Num lusco-fusco de aurora,
Pra quem chegava de fora
Pouco enxergava ali dentro!

Dei de mão numa tiangaça
Que me cruzou no costado
E já sai entreverado
Entre a poeira e a fumaça,
Oigalé china lindaça,
Morena de toda a crina,
Dessas da venta brasina,
Com cheiro de lechiguana
Que quando ergue uma pestana
Até a noite se ilumina.

Misto de diaba e de santa,
Com ares de quem é dona
E um gosto de temporona
Que traz água na garganta.
Eu me grudei na percanta
O mesmo que um carrapato
E o gaiteiro era um mulato
Que até dormindo tocava
E a gaita choramingava
Como namoro de gato!

A gaita velha gemia,
Ás vezes quase parava,
De repente se acordava
E num vanerão se perdia
E eu - contra a pele macia
Daquele corpo moreno,
Sentia o mundo pequeno,
Bombeando cheio de enlevo
Dois olhos - flores de trevo
Com respingos de sereno!

Mas o que é bom se termina
- Cumpriu-se o velho ditado,
Eu que dançava, embalado,
Nos braços doces da china
Escutei - de relancina,
Uma espécie de relincho,
Era o dono do bochincho,
Meio oitavado num canto,
Que me olhava - com espanto,
Mais sério do que um capincho!

E foi ele que se veio,
Pois era dele a pinguancha,
Bufando e abrindo cancha
Como dono de rodeio.
Quis me partir pelo meio
Num talonaço de adaga
Que - se me pega - me estraga,
Chegou levantar um cisco,
Mas não é a toa - chomisco!
Que sou de São Luiz Gonzaga!

Meio na volta do braço
Consegui tirar o talho
E quase que me atrapalho
Porque havia pouco espaço,
Mas senti o calor do aço
E o calor do aço arde,
Me levantei - sem alarde,
Por causa do desaforo
E soltei meu marca touro
Num medonho buenas-tarde!

Tenho visto coisa feia,
Tenho visto judiaria,
Mas ainda hoje me arrepia
Lembrar aquela peleia,
Talvez quem ouça - não creia,
Mas vi brotar no pescoço,
Do índio do berro grosso
Como uma cinta vermelha
E desde o beiço até a orelha
Ficou relampeando o osso!

O índio era um índio touro,
Mas até touro se ajoelha,
Cortado do beiço a orelha
Amontoou-se como um couro
E aquilo foi um estouro,
Daqueles que dava medo,
Espantou-se o chinaredo
E amigos - foi uma zoada,
Parecia até uma eguada
Disparando num varzedo!

Não há quem pinte o retrato
Dum bochincho - quando estoura,
Tinidos de adaga - espora
E gritos de desacato.
Berros de quarenta e quatro
De cada canto da sala
E a velha gaita baguala
Num vanerão pacholento,
Fazendo acompanhamento
Do turumbamba de bala!

É china que se escabela,
Redemoinhando na porta
E chiru da guampa torta
Que vem direito à janela,
Gritando - de toda guela,
Num berreiro alucinante,
Índio que não se garante,
Vendo sangue - se apavora
E se manda - campo fora,
Levando tudo por diante!

Sou crente na divindade,
Morro quando Deus quiser,
Mas amigos - se eu disser,
Até periga a verdade,
Naquela barbaridade,
De chínaredo fugindo,
De grito e bala zunindo,
O gaiteiro - alheio a tudo,
Tocava um xote clinudo,
Já quase meio dormindo!

E a coisa ia indo assim,
Balanceei a situação,
- Já quase sem munição,
Todos atirando em mim.
Qual ia ser o meu fim,
Me dei conta - de repente,
Não vou ficar pra semente,
Mas gosto de andar no mundo,
Me esperavam na do fundo,
Saí na Porta da frente...

E dali ganhei o mato,
Abaixo de tiroteio
E inda escutava o floreio
Da cordeona do mulato
E, pra encurtar o relato,
Me bandeei pra o outro lado,
Cruzei o Uruguai, a nado,
Que o meu zaino era um capincho
E a história desse bochincho
Faz parte do meu passado!

E a china - essa pergunta me é feita
A cada vez que declamo
É uma coisa que reclamo
Porque não acho direita
Considero uma desfeita
Que compreender não consigo,
Eu, no medonho perigo
Duma situação brasina
Todos perguntam da china
E ninguém se importa comigo!

E a china - eu nunca mais vi
No meu gauderiar andejo,
Somente em sonhos a vejo
Em bárbaro frenesi.
Talvez ande - por aí,
No rodeio das alçadas,
Ou - talvez - nas madrugadas,
Seja uma estrela chirua
Dessas - que se banha nua
No espelho das aguadas


Há algum tempo penso em quadrinizar esse poema de  Jayme Caetano Braun, mas resolvi ilustrar. Segue as  páginas.